O Chip e o Caleidoscópio

21 11 2010

O Livro “O Chip e o Caleidoscópio – Reflexões sobre as Novas Mídias” (2005, editora Senac), reúne uma série de artigos de vários autores, organizados por Lúcia Leão. Entre eles, “Novas mídias como tecnologia e idéia: dez definições”, de Lev Manovich.

Nele, Manovich dá uma atualizada nos pontos principais do livro e, entre as dez definições, propõe uma discussão sobre o futuro da expressão “Nova Mídia”.

“as novas mídias são objetos culturais que usam a tecnologia computacional digital para distribuição e exposição. Portanto, internet, os sites, a multimídia de computadores, os jogos de computadores, os CD-ROM e o DVD, a realidade virtual e os efeitos especiais gerados por computador enquadram-se todos nas novas mídias. Outros objetos culturais que usam a computação para a produção e o armazenamento, mas não para a distribuição final — programas de televisão, filmes de longa metragem, revistas, livros e outras publicações com base no papel, etc. —, não são novas mídias.”

O autor já havia debatido essa afirmação no livro de 2000, como sendo apenas uma definição da imprensa popular, e não uma verdade. Agora, ela vai além, e dada a evolução das novas mídias, discute não só sua definição, como também a expressão em si.

Diz que, ano a ano, cada vez mais áreas da cultura dependem da computação para a distribuição, “por exemplo, a mudança da televisão analógica para a digital, a mudança da projeção de filmes com base em película para a projeção digital nos cinemas, os livros eletrônicos, etc” e que talvez, seja só isso que elas tenham em comum, em se tratando de “nova mídia”, ou seja, talvez se mantenham com suas características, talvez criem uma estética diferente por conta da computação, mas ainda assim própria a elas. Portanto, apenas se essa cultura de nova mídia tiver algum elemento comum a todos, além do computador, é que a expressão Nova Mídia será “uma categoria teórica útil”, caso contrário, cairá em desuso, pois tudo será nova mídia.





Linha do tempo – o encontro da Mídia com a Computação

21 11 2010

No capítulo, “Como a mídia se tornou nova”, Manovich conta, cronologicamente, o encontro da Mídia com a Computação, ou seja, como, evolutivamente “toda mídia existente se transforma em dados numéricos acessíveis para o computador”. Como se iniciou a possibilidade de digitalização e da feitura de “gráficos, imagens em movimento, sons, formas, espaços, cenas e textos” computadorizáveis.

Segue abaixo uma tabela com a linha do tempo desses inventos, todos retirados do livro. Clique para ampliar:





As novas mídias na música

7 11 2010

Quando do lançamento do livro The Language of New Media, em 2001, estava no auge a briga da indústria fonográfica contra um sujeito chamado Shawn Fanning por um motivo que ilustra perfeitamente o impacto das novas mídias na sociedade e a necessidade de adaptação das antigas mídias e corporações responsáveis por elas.

 

Então com 19 anos, Fanning criou o Napster, primeiro programa de troca de arquivos de música (mp3, principalmente) em rede P2P.

Pela primeira vez (pelo menos com tanta facilidade), era só conectar e digitar a música que queríamos que, em questão de minutos, ela seria toda nossa e, melhor, gratuitamente.

Ao mesmo tempo em que encheu nossa vida de alegria, Fanning e seu programa “altruísta” criaram inimigos como a RIAA (Recording Industry Association of America) o órgão regulamentador dos direitos autorais nos EUA, todas as gravadoras imagináveis e uma porção de artistas, encabeçados pelo Metallica e, no meio de 2000, conseguiram entrar com um mandato de segurança para bloquear todo o material com direito autoral.

Ficamos órfãos por pouco tempo, uma vez que o Napster deu cria e, programas iguais – e outros, aprimorados – surgiram pra nos acolher.

O primeiro para o qual migrei foi o Imesh, com sua joaninha egocêntrica – que eu jurava ser uma melancia – que impossibilitava que fizesse qualquer outra coisa no computador que não gravar uma música de 4mb, pois tudo travava ou ficava incrivelmente lento;

Foi logo superado pelo Kazaa, que permitiu que gravássemos vídeos – embora houvesse certa dificuldade em achar um que não fosse pornô;

O Emule ficou muito famoso, mas pra mim não passou de lenda. Nunca consegui gravar nenhuma música nele, já que a velocidade ficava sempre 0,1 e 0,2mb/s;

Já o Soulseek permaneceu por muito tempo como meu favorito. Na busca apareciam os resultados separados por álbum, havia umas gravações mais raras e ainda a possibilidade de chat com outros usuários – embora eu tivesse pânico que qualquer desconhecido que viesse me perguntar se eu tinha a versão ao vivo da música x.

Hoje em dia, é só digitar a música que queremos no Google que haverá milhões de links pra baixar ou então correr no YouTube que encontramos quase tudo o que queremos. Inclusive esse vídeo do Lars Ulrich, baterista pigmeu do Metallica, dando chiliquinho num esquete no VMA de 2000.





Os princípios da nova mídia

6 11 2010

Lev Manovich categoriza em 5 as principais diferenças entre velha e nova mídia. Resumidamente, tendo como base unicamente o texto, são elas:

 1.     Representação Numérica – Todos os objetos de nova mídia são representados em códigos digitais numéricos, fazendo com que esse objeto possa ser descrito de forma matemática e seja um algoritmo manipulável. Ou seja, através de números, nós acessamos, criamos e modificamos os tais objetos; eles são programáveis.

Quando esses objetos são criados no computador, são originados já em formas numéricas. Porém, na conversão de uma mídia analógica para digital, na chamada digitalização, dois procedimentos são necessários: a amostragem (sampling) e a quantização (quantization).

Os dados são colhidos (sampled), em intervalos regulares – como os pixels de uma imagem – e depois, cada amostra é quantificada, ou seja, é definido a ela um valor numérico.

2.     Modularidade – Esses objetos são criados em módulos, pequenas unidades independentes que, juntas formam o todo. Com isso, pequenas partes podem ser modificadas sem interferir no resto. Ex: os pixels de uma foto, a separação entre áudio e imagem na edição de um filme, a inserção de imagens em um arquivo de Word, etc. A internet, então, é completamente modular. Se consiste em páginas, cada qual com seus elementos que podem ser acessados de modo independente.

3.     Automação – A representação numérica e a modularidade dos objetos de nova mídia, permitiram a automação de muitas operações de criação e manipulação. Entende-se por automação, os recursos prontos que softwares, como o Photoshop, por exemplo, nos permitem usufruir: seus filtros, correções automáticas de cor e contraste, etc. Presente também em programas de inserção de objetos em 3D como árvores, pássaros, pessoas, neve, enfim, “conjuntos” de coisas que preenchem o quadro de um filme e são criados de modo automático; são uma ferramenta pronta desse software. Essas são chamadas automações de “baixo-nível”

Já as automações de “alto-nível”, requerem que o computador entenda o significado de algumas operações. Como exemplo, a inteligência artificial (AI) dos games, que, respondem a uma ação do jogador com outra ação.

Além desses dois tipos, outra área se classifica dentro da automação das novas mídias: os programas de busca de arquivos e dados na internet que, vem sendo aprimorados (o texto é de 2001).

4.     Variabilidade – Uma mídia velha é algo feito por alguém e fixado em uma matriz que produz cópias idênticas a ela. Já as novas mídias são caracterizadas pela sua variabilidade, podendo ter diferente versões, que não necessariamente são criadas por um humano (como o layout desse blog, copiado automaticamente do design de um artista e modificado por nós com a criação do logo e dos posts).

A variabilidade não é possível sem a modularidade, uma vez que – ainda usando o exemplo do blog – conseguimos mudar pedaços de um todo criado por alguém e também está ligada a idéia de customização, onde o consumidor escolhe as características específicas de seu produto, com uma facilidade de fabricação e entrega muito grande, graças ao “poder” de variação das máquinas em que esses produtos são feitos.

5.     Transcodificação – Transcodificar alguma coisa é transformá-la em outro formato. No caso das velhas mídias transformadas em novas, há a digitalização. Logo, ao mesmo tempo em que as mídias computadorizadas continuam sendo imagens, sons, vídeos; enfim, continuam a nos fazer sentido como objeto, com a digitalização, elas passaram também, a serem dados numéricos de um computador.